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Alumnus do CAGE - Curso de Administração e Gestão de Empresas (antiga Licenciatura em Gestão) - 1999, José Cavadas é atualmente Managing Director no Grupo Rawlplug, liderando as organizações da Suíça, Portugal e Espanha.

O que o levou a escolher um Licenciatura em Gestão e, em particular, a Católica Porto Business School? Que tipo de futuro profissional imaginava nessa fase? Na altura, com 16 anos, confesso que vim para a Católica quase por acaso e por influência de 4 amigos de turma na Escola Secundária da Maia, que decidiram fazer os exames de acesso ao Ano Zero da Católica.

Depois de concluir a licenciatura, o que aconteceu a seguir? Qual foi o primeiro passo da sua carreira e que aprendizagens dessa fase inicial foram determinantes para o que veio depois? Concluí a licenciatura numa altura em que as empresas faziam fila na Católica para recrutamento. Aproveitando essa fase, durante as “férias de Verão” do meu terceiro e quarto ano de licenciatura, troquei a praia por um estágio no Cetelem – BNP e, no ano seguinte, na Optimus, no lançamento da Optimus como terceiro operador móvel.
Estas duas experiências (duas peças do meu puzzle) definiram o meu caminho profissional - iniciar a minha carreira nas vendas, perceber bem as necessidades do cliente para me desenvolver no marketing de produto.

Em que momento surgiu a decisão de emigrar? Foi uma escolha estratégica, uma oportunidade inesperada ou uma necessidade? Olhando para trás, faria o mesmo caminho? A decisão para sair do país não se define num momento, mas num caminho que fiz. Surge em primeiro lugar pela curiosidade que sempre tive pelo desconhecido, que me levou a Madrid – Universidad Carlos III de Madrid – no último semestre do quinto ano da licenciatura e, depois desta primeira experiência internacional, na decisão de integrar o Grupo Hilti nas vendas, com a perspetiva de desenvolvimento interno e carreira internacional dentro do Grupo (duas peças mais do meu puzzle). Confesso que nunca dedico muito tempo a olhar para trás, até porque, por definição, o caminho faz-se para a frente :)

Trabalhar e viver fora de Portugal trouxe-lhe ganhos evidentes, mas também desafios. O que ganhou com a experiência internacional, profissional e pessoalmente, e o que sentiu que perdeu nesse processo? Trabalhar e viver fora de Portugal expôs-me a uma série de realidades, experiências e desafios únicos. Habituou-me a trabalhar sempre para superar expectativas e ao impacto que essa forma de trabalhar pode trazer a nós próprios, às nossas equipas e à empresa com quem colaboramos. Na parte pessoal, tive a sorte de estar com alguém que sempre partilhou esta visão, me acompanhou e ajudou em todo este desafio (a base de todo o meu puzzle). Acredito que na vida apenas perdemos aquilo que realmente é menos relevante, pois o importante sempre permanece e não é a distância que o torna irrelevante.

Do ponto de vista da carreira, que diferenças mais marcantes encontra entre construir um percurso profissional em Portugal e fazê-lo num contexto internacional? O contexto internacional é uma verdadeira escola de vida, cultura e valores que é acrescentada ao que já somos. Acredito que é pela base sólida de valores, educação e cultura portuguesa que consegui valorizar-me no contexto internacional e acrescentar sempre valor em tudo o que fiz. Não é por acaso que os profissionais portugueses são tão valorizados lá fora.

Hoje ocupa uma posição de liderança sénior em vários mercados. O que teve de investir em competências, tempo, sacrifícios ou escolhas difíceis para chegar onde está? O investimento deve ser feito à medida que vamos fazendo o caminho, reconhecendo as competências que podemos ter menos trabalhadas e sempre com um propósito. Quando fazemos as coisas com prazer e com um propósito claro, tornamos tudo mais fácil na gestão das prioridades e no investimento em mais uma peça de um puzzle do qual queremos muito fazer parte. Nada se consegue sem trabalho e algumas escolhas difíceis.

Hoje lidera operações na Suíça, Portugal e Espanha como Managing Director da Rawlplug, uma empresa com mais de 100 anos de história. Como se constrói liderança e alinhamento em equipas multiculturais? Na minha opinião, a verdadeira liderança é o resultado de todo o puzzle que é tudo aquilo em que nos tornamos pessoal e profissionalmente, e que passa para os que nos rodeiam na planificação e execução de cada tarefa e desafio que temos de superar.

A base da liderança de equipas multiculturais espalhadas por diferentes países é a mesma – saber escutar, respeitar o próximo e intervir apenas quando necessário. Aprendi nas vendas a regra do 80/20 – um bom vendedor ouve 80% do tempo e fala apenas 20%.

Depois de um percurso internacional tão sólido, voltar a Portugal é um cenário que considera? Que mensagem deixaria aos nossos estudantes e alumni?  Tal como a maioria dos portugueses, a saudade é um sentimento que não se explica, sente-se, e por isso sempre considerei voltar um dia para Portugal como o caminho normal do meu desenvolvimento profissional e pessoal.
Tal como a decisão de sair, o regresso deve ser algo preparado e planeado, tanto pessoal como financeiramente, e como parte de um caminho bem definido – não deve ser subestimado. O regresso pode até ser mais desafiante do que a própria decisão inicial de sair.

Livro favorito: Good to Great, de James Collins. 

Figura marcante na Católica Porto Business School: Professor Aldónio Ferreira – Controlo de Gestão, que tive o prazer de reencontrar em 2007 numa viagem de trabalho à Austrália.

Curiosidade pessoal: Nos intervalos das viagens, a minha atividade favorita é trabalhar na minha quinta, plantar e ver crescer.

O sucesso é algo atingível por todos, pois é construído essencialmente pelo trabalho (transpiração) e apenas parcialmente pela sorte ou talento nato (inspiração).